Photo: Valter Campanato/Agência Brasil

The cultivation and production of specialty coffees can increase the market and add value to one of the most traditional products of the Brazilian agriculture. The potential expansion will occur if the country sells more processed coffee and reverses the commoditization trend of exports.

According to the executive summary of the Ministry of Agriculture, Livestock and Supply (Mapa), Brazil exported 34.1 million bags of coffee (60 kg) last year. About nine out of ten bags sold were of green coffee (not roasted beans). The marketing of roasted and soluble coffee is just over 10% of the total.

According to Ivan Oliveira, Director of Studies and Economic Relations and International Policies of Ipea, the country lost space in the sale of industrialized coffee. According to him, in the 1990s, 51% of exports were of soluble coffee (ready for consumption).

“We lost a lot of space in processed coffee in the world,” he notes. “We left the path of the industrialization and the gourmetization of the coffee due to the closing of the Brazilian market for coffee beans”, it points out.

The closure of the Brazilian market for coffee beans produced in other countries is a phytosanitary protection measure to avoid contamination of Brazilian crops with pests that may enter the country through imported beans. However, Ipea’s study notes that the measure has the effect of generating a non-tariff barrier that increases the cost of imported grain by 13.61%.

Visions of opportunity

For Oliveira, the measure makes it difficult to increase the production of soluble coffee, which has higher value added than grain product, and whose industrialization generates more jobs. “By closing the market, by not allowing the entrance of coffee beans in Brazil, it is not guaranteed to the investor who wants to set up a coffee processing plant the fundamental raw material so that he can have the activity,” he says.

According to the expert, if Brazil did not have such a protective policy, the country could dedicate itself more to the production of coffees made from blends like countries such as Germany, France, the Netherlands, Belgium and Spain. Instead, Brazil is a niche market for these countries, for example, in the purchase of coffee capsules that bring mixed products from different origins (Asia, Africa, Central and South America).

“Big companies do not come here because of this kind of difficulty: they need a kind of coffee to produce blend and Brazil prohibits imports,” analyzes Antônio Guerra, Embrapa’s chief general.

Nathan Herszkowicz, executive director of the Brazilian Coffee Industry Association (ABIC), believes that the success of green coffee exports has discouraged the sale of more processed coffee. “This value has always been so expressive that Brazilians have lost the vision of opportunity that the market could present.” He acknowledges, however, that “exporting the raw grain is to fail to gain a significant share of the price of the bag”.

Globalized economy

Sílvio Farnese, Director of Marketing and Supply of Mapa, admits that soluble coffee is a strategic product that opens doors to the Brazilian product in markets without the habit of consuming the drink, like Asian countries, because “it has the same tea preparation”.

He ponders, however, that “value aggregation is a healthy discourse,” but it has to be rethought in the economic context. “The globalized market has difficulty accepting from a single country the integral production. If the country wants to sell the top of value aggregation, it is taking away the possibility of the buyer making a part of the product and gaining from it,” he says.

“In the globalized economy we have to divide the revenue. Who produces produces one part, who industrializes another,” Farnese says. According to the director of Mapa, Brazil is seeking to add value to coffee in improving the quality of grain offered and specialization. “In the production of coffee, there is possibility of change of taste, aroma and taste alteration depends on the mixing of the beans.”

Specialty coffee

According to the experts heard by Agência Brasil, the coffee market in Brazil grows at an average of 2% per year. In the case of specialty coffee, the growth is 7% per year. The increase in special coffee production already reflects in exports, which are equivalent to two out of ten bags exported by Brazil.

The Brazilian Specialty Coffee Association (BSCA) accredited 14 exporting companies from Minas Gerais, Paraná and São Paulo, and described 45 varieties of specialty coffees.

The roaster Nathalia Rodrigues, who works in a microcompany of roasting of specialty coffees in Brasilia, complains about the infrastructure for the flow of production and export, which also affects other agribusiness sectors. “Selling special coffee for the foreign market requires a logistics that Brazil is not yet prepared,” she warns.

Logistics is crucial to expedite the delivery of special coffee at the destination. The immediacy of this process favors the consumption of a higher quality product. “After the coffee is roasted there is a sensorial loss, with the oxidation of the fruit and reduction of carbon dioxide,” he explains.

According to the roaster, knowledge about these processes are shared today and increased insight into the importance of producing excellence. “There is national recognition that we can occupy a much larger scale than we have occupied. The special coffee scene is happening now.”

Source: Agência Brasil

Cafés especiais ampliam mercado dentro e fora do Brasil

Industrialização, qualidade de grãos e pesquisa agregam valor à bebida

O cultivo e a produção de cafés especiais podem aumentar o mercado e agregar valor a um dos produtos mais tradicionais da lavoura brasileira. A expansão potencial ocorrerá se o país vender mais café industrializado e reverter a tendência de comoditização das exportações.

Conforme sumário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Brasil exportou 34,1 milhões de sacas de café (60 kg) no ano passado. Cerca de nove a cada dez sacas vendidas foram de café verde (em grãos não torrados). A comercialização de café torrado e solúvel é pouco superior a 10% do total.

De acordo com Ivan Oliveira, diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea, o país perdeu espaço na venda de café industrializado. Segundo ele, na década de 1990, 51% das exportações eram de café solúvel (pronto para consumo).

“A gente perdeu muito espaço no café processado no mundo”, observa. “Deixamos o bonde da industrialização e da gourmetização do café, muito por conta do fechamento do mercado brasileiro de grãos”, aponta.

O fechamento do mercado brasileiro para grãos produzidos em outros países é medida de proteção fitossanitária para evitar a contaminação da lavoura brasileira com pragas que possam entrar no país por meio de grãos importados. Estudo do Ipea contabiliza, no entanto, que a medida tem como efeito gerar uma barreira não tarifária que aumenta o custo do grão importado em 13,61%.

Visões de oportunidade

Para Oliveira, a medida dificulta o aumento de produção do café solúvel, que tem maior valor agregado do que o produto em grãos, e cuja industrialização gera mais empregos. “Ao fechar o mercado, ao não permitir a entrada de café em grão no Brasil, não se garante ao investidor que quer montar uma fábrica de processamento de café a matéria-prima fundamental para que ele possa ter a atividade”, detalha.

Segundo o especialista, se o Brasil não tivesse a política tão protetiva, o país poderia se dedicar mais a produção de cafés feitos a partir de misturas (blends) como fazem países como Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Espanha. Em vez disso, o Brasil é nicho de mercado para esses países, por exemplo, na compra de cápsulas de café que trazem misturados produtos de diferentes origens (Ásia, África, América Central e América do Sul).

“As grandes empresas não vêm para cá por causa desse tipo de dificuldade: de precisarem de um tipo de café para produzir blend e o Brasil proibir importação”, analisa Antônio Guerra, chefe geral da Embrapa Café.

Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), opina que o sucesso das exportações de café verde desestimulou a venda de mais café processado. “Esse valor foi sempre tão expressivo que os brasileiros perderam a visão de oportunidade que o mercado poderia apresentar”. Ele reconhece, no entanto, que “exportar o grão cru é deixar de ganhar uma parte importante do preço da saca”.

Economia globalizada

Sílvio Farnese, diretor de Comercialização e Abastecimento do Mapa admite que o café solúvel é um produto estratégico e que abre porta para o produto brasileiro em mercados sem o hábito de consumir a bebida, como países da Ásia, pois “tem o mesmo preparo do chá”.

Ele pondera, no entanto, que “a agregação de valor é um discurso saudável”, mas tem que ser repensado no contexto econômico. “O mercado globalizado tem dificuldade de aceitar de um só país a produção integral. Se o país quiser vender o top da agregação de valor, está tirando a possibilidade do comprador fazer uma parte do produto e ganhar com isso”, assinala.

“Na economia globalizada temos que dividir a receita. Quem produz ganha uma parte, quem industrializa ganha outra”, avalia Farnese. Conforme o diretor do Mapa, o Brasil está buscando agregar valor ao café na melhoria da qualidade do grão ofertado e especialização. “Na produção de café, há possibilidade de alteração de sabor, aroma e paladar alteração depende da mistura dos grãos”.

Cafés especiais

Conforme os especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o mercado de café no Brasil cresce a uma média de 2% ao ano. No caso de café especiais, o crescimento é de 7% ao ano. O aumento de produção de café especiais já reflete nas exportações, que equivalem a duas de cada dez sacas exportadas pelo Brasil.

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês) credenciou 14 empresas exportadoras de Minas Gerais, Paraná e São Paulo, e descreve 45 variedades de cafés especiais.

A mestre de torras Nathalia Rodrigues, que trabalha em uma microempresa de torrefação de cafés especiais em Brasília, reclama da infraestrutura para escoamento da produção e exportação, que também afeta outros setores do agronegócio. “Vender café especial para o mercado externo exige uma logística que o Brasil ainda não está preparado”, alerta.

A logística é determinante para agilizar a entrega do café especial no destino. A imediatez desse processo favorece o consumo de um produto com mais qualidade. “Depois do café ser torrado há uma perda sensorial, com a oxidação do fruto e redução do gás carbônico”, explica.

De acordo com a mestre, conhecimento sobre esses processos são partilhados hoje e aumentou a visão sobre a importância da produção de excelência. “Existe reconhecimento nacional de que a gente pode ocupar uma escala muito maior que temos ocupado. O cenário do café especial está acontecendo agora”.

Fonte: Agência Brasil